A repercussão levou o clube espanhol e a LaLiga a adotarem medidas para tentar conter a crise. O presidente da liga espanhola, Javier Tebas, organizou uma equipe para lidar com o caso e se reuniu com o embaixador chinês, Yao Jing.
Em comunicado, o Real Madrid manifestou respeito pela China, sua história e cultura, além de reconhecer a importância dos torcedores chineses para o clube.
“O Real Madrid deseja expressar suas desculpas ao povo chinês por qualquer incômodo causado pelas recentes declarações do nosso jogador Kylian Mbappé”, afirmou a instituição.
O clube acrescentou que mantém profundo respeito pelos cidadãos chineses e pelos milhões de torcedores que acompanham a equipe no país asiático.
Marcas chinesas encerram parcerias com Mbappé
A polêmica já provocou consequências comerciais para o atacante francês. Empresas chinesas, incluindo a fabricante de laticínios Mengniu, a Shanghai Milkground Food Tech e a Eastroc Beverage, encerraram suas parcerias com Mbappé, conforme informações divulgadas pela imprensa internacional.
A plataforma estatal chinesa de transmissão Migu também não exibirá a partida entre Real Madrid e Racing Santander, marcada para domingo (1º de novembro), pelo Campeonato Espanhol. Segundo as informações divulgadas, o confronto será o único dos dez jogos da rodada da LaLiga que não será transmitido pela plataforma.
A repercussão evidencia os riscos comerciais enfrentados por atletas e clubes internacionais no mercado chinês, considerado estratégico para o futebol mundial.
Entenda a polêmica envolvendo Mbappé
O episódio começou após a circulação de um vídeo de um podcast francês, posteriormente retirado do ar. Na gravação, Mbappé comentava um meme no qual seu rosto havia sido colocado digitalmente sobre a imagem de Mao Tsé-Tung, líder que governou a China de 1949 até sua morte, em 1976.
Ao comentar a montagem, o atacante afirmou que a imagem retratava seu rosto no corpo de um homem que, segundo ele, seria um ditador chinês.
Memes semelhantes já haviam associado a imagem de Mbappé a líderes militares e políticos, em referências satíricas à influência que o jogador teria nas decisões dos clubes pelos quais passou. Na imprensa europeia, o francês também recebeu o apelido de “o ditador” nesse contexto.
Na China, porém, referências satíricas a Mao Tsé-Tung continuam sendo um tema sensível, o que contribuiu para a repercussão negativa das declarações.
LaLiga tenta conter impactos financeiros
A crise também mobilizou a direção da LaLiga, que entrou em contato com o Real Madrid para discutir o episódio. A iniciativa ocorreu apesar das divergências anteriores entre Tebas e o clube espanhol, que recentemente pediu a renúncia do dirigente.
Diante da possibilidade de prejuízos comerciais e de imagem, a liga avalia ampliar o diálogo institucional com autoridades chinesas. Segundo informações divulgadas, Tebas também considerou viajar à China para tentar reduzir os impactos da controvérsia.
Questionado sobre o pedido de desculpas de Mbappé, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou na quarta-feira (28) que o país levava a manifestação a sério.
A repercussão do caso mantém em alerta o Real Madrid e a LaLiga, que buscam evitar consequências duradouras para suas relações comerciais e para a presença do futebol espanhol no mercado chinês.

