Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2023, apontam que Manaus ocupa a sexta posição entre os municípios brasileiros com maior Produto Interno Bruto (PIB), com R$ 127,6 bilhões. A cidade também é a sétima mais populosa do país.
Da fundação ao nome Manaus
A ocupação portuguesa da região ganhou impulso em 1669, com a construção do Forte de São José da Barra do Rio Negro, destinado a reforçar o domínio sobre a Amazônia. Ao redor da fortificação, surgiu o povoado do Lugar da Barra, que se tornou um importante núcleo administrativo.
Em 1832, o povoado foi elevado à categoria de vila. Em 24 de outubro de 1848, passou à condição de cidade, inicialmente com o nome de Cidade da Barra de São José do Rio Negro. O nome Manaus foi oficializado em 4 de setembro de 1856, em referência ao povo indígena Manaós, que habitava a região antes da colonização portuguesa. A expressão é tradicionalmente associada ao significado de “mãe dos deuses”.
Do ciclo da borracha à Zona Franca
Entre o final do século XIX e o início do século XX, Manaus viveu um período de prosperidade impulsionado pela extração e exportação da borracha. A demanda internacional por látex transformou a capital em um importante centro financeiro e urbano. A chamada Belle Époque deixou marcas na arquitetura da cidade, como o Teatro Amazonas.
Com o declínio do ciclo da borracha, a economia regional enfrentou dificuldades. Um novo impulso veio em 1967, com a criação da Zona Franca de Manaus, que estimulou a instalação de indústrias e a geração de empregos.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Polo Industrial de Manaus registrou faturamento de R$ 165,12 bilhões, crescimento de 10,47% em relação ao mesmo período de 2025.
A capital também desempenha papel estratégico na logística amazônica. O transporte fluvial e o Porto de Manaus são fundamentais para o abastecimento da população, o deslocamento de passageiros e a circulação de mercadorias entre municípios do interior e outras regiões do país.
Expansão urbana pressiona serviços públicos
Apesar da força econômica, o crescimento populacional e a expansão urbana aumentam a demanda por moradia, saneamento e infraestrutura.
Dados do Censo do IBGE citados pelo Dicionário de Favelas Marielle Franco indicam que cerca de 1,15 milhão de pessoas vivem em favelas e comunidades urbanas de Manaus, o equivalente a mais de 55% da população municipal. O levantamento coloca a capital na terceira posição nacional em número de moradores nessas áreas.
A expansão urbana também aumenta a pressão sobre áreas vulneráveis, serviços públicos e sistemas de saneamento, tornando o planejamento territorial um dos desafios para o desenvolvimento da cidade.
Saneamento e qualidade do ar preocupam
Cercada por rios, igarapés e áreas de floresta, Manaus tem importância ambiental para a Amazônia. Um dos principais cartões-postais da região é o Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões correm lado a lado antes de formarem o Amazonas.
Entretanto, a falta de saneamento compromete a qualidade dos cursos d’água. Dados citados no levantamento apontam que 97% da população tem acesso à água tratada, enquanto 32% conta com rede de esgoto. Menos de 23% dos dejetos coletados recebem tratamento.
A cidade também enfrenta impactos das queimadas na região amazônica. Em outubro de 2026, Manaus passou por 14 dias consecutivos de fumaça intensa. Em 17 de outubro, chegou a aparecer no ranking da IQAir como a cidade com a pior qualidade do ar do mundo. A situação melhorou após a chuva registrada em 21 de outubro, que contribuiu para reduzir a concentração de fumaça.
Aos 357 anos, Manaus reúne relevância econômica, histórica e cultural, mas enfrenta o desafio de conciliar o crescimento urbano e industrial com a preservação ambiental. Investimentos em saneamento básico, planejamento urbano e proteção de áreas verdes são apontados como fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população.

