Um vídeo gravado em um clube de tiro na zona leste de São Paulo mostra dois homens disparando contra um alvo com o rosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a prática, eles fazem provocações políticas e afirmam que o presidente “não vai participar da próxima eleição”. A publicação foi acompanhada da legenda “toma essa picanha”.
Segundo a Agência Pública, o vídeo foi publicado no status do WhatsApp do empresário Maurício Archangelo, que, ao ser procurado, disse não se lembrar da gravação. Após nova abordagem, ele encerrou as ligações e bloqueou o contato. O vídeo foi apagado depois da primeira tentativa de contato da reportagem.
O consultor sênior do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, avaliou que a conduta pode ser enquadrada como crime de ameaça, a depender das circunstâncias. Ele defendeu a investigação dos envolvidos e a apuração de eventual responsabilidade do estabelecimento.
A gravação ocorreu no Clube e Escola de Tiro 556, cujo proprietário, Vinicius Monteiro Pires Inácio, conhecido como Magnata, afirmou desconhecer o episódio e negou compactuar com atos de incitação ao ódio. Após ser procurado pela reportagem, o clube publicou um comunicado proibindo o uso de imagens de pessoas reais como alvos nas instalações.
O proprietário declarou que os clientes podem levar caricaturas, mas que o uso de fotografias de pessoas reais não é permitido. Ele também afirmou que não é possível acompanhar continuamente tudo o que os frequentadores fazem no local.
Em 2023, o estabelecimento foi alvo de uma operação policial que resultou na apreensão de 38 armas. Conforme reportagem do SBT News, o clube era investigado por suspeitas relacionadas à realização de rifas de armas de fogo e ao uso de armamentos por pessoas sem treinamento.
O caso reacende o debate sobre violência política e a utilização de imagens de figuras públicas em práticas de tiro. A eventual configuração de crime depende da análise das circunstâncias e da apuração pelas autoridades competentes.

