Dez anos após a deflagração da Operação Maus Caminhos, o médico e empresário Mouhamad Moustafa voltou a se manifestar publicamente neste sábado (3). Em entrevista coletiva, ele falou sobre sua relação com a família Aziz, declarou apoio à candidatura de Omar Aziz ao Governo do Amazonas e afirmou que pretende retomar os negócios com o poder público.
Moustafa ficou preso por cerca de dois anos e meio e atualmente responde aos processos em liberdade. Durante a entrevista, afirmou que pretende voltar a atuar na prestação de serviços ao Estado e disse não enxergar, no momento, impedimento legal para retomar esse tipo de atividade. Segundo ele, atualmente seus negócios estão concentrados na iniciativa privada.
O médico também rejeitou a acusação de ter sido o responsável central por um esquema que teria provocado grandes prejuízos aos cofres públicos da Saúde do Amazonas. Ao falar sobre sua relação com a família Aziz, entretanto, confirmou que mantinha proximidade com o grupo e que foi médico particular da mãe do senador Omar Aziz.
Moustafa também destacou a amizade com Murad Aziz, irmão do senador e padrinho de sua filha. Murad foi um dos integrantes da família Aziz presos no decorrer dos desdobramentos da investigação, assim como a ex-primeira-dama Nejmi Aziz.
Durante a coletiva, o médico ainda afirmou que ele e Omar Aziz compartilharam vínculos com uma religião de matriz africana e relatou que o senador teria ajudado financeiramente na construção de espaços religiosos em Manaus.
Questionado sobre eventual ressentimento em relação à família Aziz, Moustafa negou guardar mágoas, mas afirmou ter se sentido injustiçado e defendeu que pessoas que estiveram juntas em períodos de prosperidade não deveriam abandonar umas às outras.
Operação Maus Caminhos
Deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2016, a Operação Maus Caminhos investigou um esquema envolvendo contratos públicos para a gestão de unidades de saúde no Amazonas. O principal alvo da primeira fase foi justamente o médico e empresário Mouhamad Moustafa, apontado pelo Ministério Público Federal como líder do núcleo empresarial investigado.
As investigações identificaram o Instituto Novos Caminhos (INC), organização social responsável pela administração de unidades de saúde em Manaus, Tabatinga e Rio Preto da Eva. Segundo o MPF, mais de R$ 250 milhões dos recursos destinados ao instituto, entre 2014 e 2015, teriam sido utilizados em operações consideradas fraudulentas, incluindo pagamentos sem comprovação de serviços e contratos com valores questionados.
A primeira fase da operação resultou em prisões, buscas e bloqueios de bens em setembro de 2016. A partir da análise do material apreendido, as autoridades ampliaram as investigações e chegaram a outros núcleos e desdobramentos, entre eles as operações Custo Político, Estado de Emergência e Cashback.
O caso também gerou diversas ações penais e ações de improbidade administrativa na Justiça Federal. O MPF informa que algumas dessas ações resultaram em condenações, enquanto outros processos continuam em tramitação.

